O cenário econômico e as tendências da logística para 2026

O setor de logística está passando por uma transformação profunda, impulsionada por mudanças econômicas, tecnológicas e estruturais. De acordo com análises apresentadas por Carlos Menchik, o cenário para 2026 se mostra desafiador, mas ao mesmo tempo bastante otimista, especialmente para empresas que investirem em digitalização e inovação.

Escassez de mão de obra e impacto nos custos

Uma das principais tendências já observadas no mercado é a redução da mão de obra disponível, sobretudo em funções operacionais. Esse cenário tem provocado um aumento significativo nos salários e pressionado os custos das operações logísticas. A dificuldade de contratar profissionais qualificados reforça a necessidade de adoção de tecnologias que reduzam a dependência do trabalho manual.

Redução de juros e incentivo aos investimentos

A expectativa é que, no primeiro trimestre de 2026, ocorra uma redução nos juros nominais. Com o custo do dinheiro mais baixo, empresas tendem a investir mais em digitalização de processos logísticos, como sistemas de gestão, automação e integração de dados. Esse movimento deve acelerar a modernização do setor no Brasil.

Brasil como destino de investimentos estrangeiros

Mesmo com um crescimento econômico moderado, o Brasil desponta como uma alternativa atrativa para investidores internacionais. Conflitos geopolíticos em regiões como Índia, Rússia e África do Sul, além da estagnação da Europa, tornam o país uma opção mais estável. Esse cenário já reflete na entrada de capital estrangeiro, especialmente dos Estados Unidos, e no desempenho positivo da Bolsa de Valores.

O índice da Bovespa registrou uma sequência de recordes e atingiu, recentemente, sua maior alta em 52 semanas quando medido em dólar, indicando crescimento real e expectativas positivas para a economia futura.

Agronegócio e ano eleitoral impulsionam o PIB

Outro fator relevante é a previsão de crescimento da safra de grãos em 2026. O agronegócio representa cerca de 25% do PIB brasileiro, o que torna esse avanço extremamente relevante para a economia. Além disso, por ser um ano eleitoral, é comum que haja maior injeção de recursos na economia, independentemente do partido no poder, estimulando o consumo e os investimentos.

Somando todos esses fatores, o cenário econômico para 2026 se mostra positivo, percepção que também foi reforçada por economistas como Ricardo Amorim, citado por Menchik em suas análises.

Conheça as tendências tecnológicas na logística para 2026

Tecnologias convergentes e integração de sistemas

Uma das principais tendências apontadas é a convergência tecnológica. Atualmente, muitas operações utilizam sistemas como ERP, TMS e WMS de forma isolada, cada um com sua própria base de dados. A tendência é que esses softwares, mesmo de fornecedores diferentes, passem a operar com uma base de dados única e integrada.

Essa convergência aumentará significativamente a inteligência dos sistemas, permitindo análises estatísticas mais avançadas e o uso de Inteligência Artificial para correlacionar dados e apoiar a tomada de decisão em tempo real.

Inteligência Artificial como motor da inovação

Vivemos a maior onda de inovação tecnológica da história, impulsionada pela Inteligência Artificial. A IA atua como um elemento central que potencializa outras tecnologias. Um exemplo prático está na robotização industrial: robôs que antes executavam tarefas repetitivas sem capacidade de adaptação agora utilizam visão computacional e IA para corrigir desvios e operar com maior precisão.

Na logística, essa inteligência aplicada permitirá previsões mais assertivas, otimização de processos e redução de falhas operacionais.

Sustentabilidade e logística verde

A sustentabilidade segue ganhando força ano após ano. Iniciativas como eletrificação de frotas, uso de combustíveis mais limpos e fontes de energia renovável já fazem parte da agenda do setor. Além disso, práticas como roteirização inteligente, redução de quilometragem rodada, diminuição do uso de embalagens e integração de sistemas contribuem diretamente para a redução da pegada de carbono.

Embora o tema ESG ainda seja menos explorado no Brasil em comparação a outros mercados, ele tende a se tornar parte essencial da mentalidade logística nos próximos anos.

Cadeias de suprimentos mais curtas

Outra tendência é o encurtamento das cadeias de suprimentos. Essa estratégia reduz o tempo de atravessamento e os riscos logísticos, embora possa aumentar os custos operacionais. Como consequência, o preço final dos produtos tende a subir, mas com maior previsibilidade e resiliência da cadeia.

Omnichannel como diferencial competitivo

O modelo omnichannel deixa de ser uma opção e passa a ser uma exigência do consumidor. Comprar na loja física e trocar no e-commerce, adquirir online e retirar na loja ou em lockers são exemplos de flexibilidade logística que agregam valor à experiência do cliente. Para isso, é fundamental que os canais estejam integrados dentro da operação logística.

Visibilidade da cadeia logística

A visibilidade ponta a ponta da operação é essencial para garantir eficiência. Ter uma torre de controle que permita acompanhar estoques, centros de distribuição e entregas em tempo real melhora a precisão e a tomada de decisão. Embora muitos profissionais apontem a falta de visibilidade como o principal problema da logística, Menchik defende que a raiz do desafio está na falta de tecnologia adequada.

Digitalização como base da competitividade

Segundo Menchik, operar sem sistemas como WMS e TMS é como “ir para uma guerra sem fuzil”. Em um mercado com escassez de mão de obra, alta complexidade operacional e pressão por redução de custos, a digitalização não é mais opcional. Ainda assim, muitos profissionais relataram não contar com nenhuma dessas soluções em suas operações.

Automação e robotização

Após a digitalização, o próximo passo é a automação de processos, com tecnologias como esteiras, picking by light e outras soluções que aumentam a produtividade e reduzem a dependência de mão de obra. No estágio mais avançado está a robotização. Um exemplo citado é a Amazon, que pretende robotizar cerca de 75% de suas operações até 2030, impactando diretamente a estrutura de empregos da empresa.

Novos cargos e o futuro das profissões em logística

Com todas essas mudanças, os cargos tradicionais também estão evoluindo. Funções como analista de logística e analista de transporte tendem a se transformar em analistas de dados. O foco deixa de ser apenas resolver problemas operacionais e passa a ser a análise de informações, correlação de dados e uso de Inteligência Artificial para prever cenários futuros.

Novas posições, como Analista de IA na logística, já começam a surgir, inclusive fora das áreas tradicionais de TI. Algumas empresas buscam até profissionais com formação em matemática para apoiar análises avançadas e modelos preditivos.

A logística de 2026 será cada vez mais estratégica, tecnológica e orientada por dados. As empresas que se anteciparem a essas tendências terão uma vantagem competitiva significativa no mercado.

Como TMS e YMS impulsionam a eficiência logística em 2026

A adoção de sistemas como TMS (Sistema de Gestão de Transporte) e YMS (Sistema de Gestão de Pátio e Docas) será decisiva para as empresas que buscam aumentar a eficiência, reduzir custos e ganhar competitividade na logística até 2026. 

O TMS possibilita uma gestão mais estratégica do transporte, com roteirização otimizada, controle de fretes, monitoramento de entregas em tempo real e análise de desempenho das transportadoras, contribuindo diretamente para a redução de custos operacionais e da pegada de carbono. 

Já o YMS atua na organização do pátio logístico, controlando agendamentos, docas, filas e tempos de permanência dos veículos, eliminando gargalos e elevando a produtividade. 

Quando integrados a sistemas como ERP e WMS, TMS e YMS criam uma base de dados unificada, permitindo o uso de analytics e Inteligência Artificial para apoiar a tomada de decisão, automatizar processos e reduzir a dependência de mão de obra, pontos essenciais diante da escassez de profissionais e do aumento da complexidade das operações logísticas.